ESTE INFERNO DE AMAR
Este
inferno de amar — como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida — e que a vida destrói —
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida — e que a vida destrói —
Como é
que se veio a atear,
Quando — ai quando se há-de ela apagar?
Eu não sei, não me lembra; o passado,
A outra vida que dantes vivi
Quando — ai quando se há-de ela apagar?
Eu não sei, não me lembra; o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um
sonho talvez… — foi um sonho —
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar…
Quem me veio, ai de mim! despertar?
Só me lembra que um dia formoso
Eu passei… dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Que fez ela? Eu que fiz? — Não no sei
Mas nessa hora a viver comecei…
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar…
Quem me veio, ai de mim! despertar?
Só me lembra que um dia formoso
Eu passei… dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Que fez ela? Eu que fiz? — Não no sei
Mas nessa hora a viver comecei…
Almeida Garrett, João Baptista da Silva Leitão de
Almeida Garrett e mais tarde 1º Visconde de Almeida Garrett, (Porto, 4
de fevereiro de1799 — Lisboa, 9 de
dezembro de 1854) foi
um escritor e dramaturgo romântico, orador, par
do reino, ministro e secretário de estado honorário português.
Grande
impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do
romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional
de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.
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