terça-feira, 13 de março de 2018

O Caminho dos Barcos

O Caminho dos Barcos (EDIÇÃO 01, ANO 01, DATA: 05/03/2018)

Cineasta lança Filme que mostra o cotidiano das mulheres
 que sobrevivem da atividade de pesca na Ilha de Deus,
comunidade situada no bairro da Imbiribeira (Recife).
A realizadora Anna Andrade de Recife (Pernambuco), lança ainda
 este mês o Filme Entremarés, o qual produz e dirige.
A ilha de Deus é uma comunidade cortada pelos rios Tejipió, Jordão e Pina, que teve suas mudanças estruturais com o passar dos anos, mas ainda consegue manter essa cultura de pesca paralelamente ao desenvolvimento urbano que a cerca.
 O documentário também tem como objetivo discutir a comunidade e o meio em que ela está inserida, pois com o passar dos anos aconteceram várias mudanças no local, como a substituição de muitas das palafitas para construção de um conjunto habitacional, bem como construções que foram tomando grande parte do entorno da Ilha, muitas vezes de forma desestruturada, destruindo viveiros e manguezais ali existentes, e deixando o local isolado do resto da cidade, além de alterar a paisagem sonora e visual do local.
A Ilha de Deus já foi conhecida como uma das comunidades mais violentas de Recife, e graças a um grupo de mulheres que começou a fazer protestos pelos direitos básicos dos moradores da Ilha, a realidade dos moradores de lá começou a mudar (há mais ou menos 10 anos), porém muita gente na cidade ainda tem medo de ir na "Ilha sem Deus" como era conhecida por causa das matérias que saíam nos jornais locais. Recife é uma cidade cortada por rios e pontes, conhecida como a Veneza Brasileira, porém poucas pessoas conhecem a Ilha de Deus e sua história, e poucas pessoas sabem que a ponte, hoje de concreto, que liga a Ilha ao resto da cidade, se chama Ponte Vitória das Mulheres.


A Ilha de Deus "ainda" é um oásis no meio da cidade.
Podemos ver Recife se engolindo de prédios crescendo verticalmente no entorno da Ilha, porém esse espaço é de resistência social e territorial!
pois lá dentro, os moradores ainda sobrevivem do que a maré lhes dá, como camarão,  sururu, e a pesca artesanal...

Equipe:
Adalberto Oliveira (Fotografia)
 Anna Andrade (roteiro e direção)
 Laura Martinez (direção de produção)
Josuel Moriarty (assistente de produção)
 Caio Sales (assistente de direção, direção de produção)
 Catharine Pimentel (assistente de fotografia)
 Lucas Caminha (som direto)


TÔ DENTRO: Como foi pra você realizar esse projeto?
ANNA ANDRADE: Eu moro na Imbiribeira desde novinha, do "outro lado da Ilha", como nós chamamos.
Cresci ouvindo e por vezes vendo de perto as histórias que amigos contavam sobre a Ilha, e acompanhei todas as transformações estruturais desse lugar, através da força das mulheres e de toda a comunidade.
Quando comecei a trabalhar com cinema, nunca imaginei que fosse realizar um filme meu, mas na mesma época iniciei um projeto de fotografia lá na Ilha e surgiu o desejo de fazer um filme, que não poderia ter sido sobre outro local.
Conversei com os moradores, fiz um mapeamento das personagens que gostaria de entrevistar e que seria parte do dispositivo que eu utilizaria, e decidi inscrever num edital de gênero, o Naíde Teodósio, em 2015, mas não aprovei.
Foi bacana porque consegui aperfeiçoar muita coisa no filme, narrativa e esteticamente, e no ano seguinte aprovamos no Funcultura, na categoria Ary Severo, para realizadores iniciantes.Conseguir fechar esse ciclo foi bem emocionante, porque acredito que a nossa cidade precisa se re-conhecer e se re-conectar com seus espaços, com suas comunidades, precisa dar ouvidos a todas as pessoas de gêneros, raças e classes socias, e espero que com o filme eu consiga quebrar toda a visão negativa que ainda existe sobre a Ilha, além de destacar a garra da comunidade como um todo.

TÔ DENTRO: Quais os desafios de um Mulher Produzir e Dirigir um Filme?
ANNA ANDRADE:  Como já produzo há quase dez anos, não tenho problemas com a parte de produzir.
 O maior desafio foi dirigir um filme no meio de algumas pessoas que já tem muita bagagem, mas que são parceiros com quem trabalho em outros projetos, e essa foi uma de minhas motivações para a escolha da equipe.
Sou mulher, luto pelos direitos das mulheres na ocupação de funções de base, mas luto ainda mais por um cinema democrático e justo, por tratamentos iguais a todos os profissionais, e decidi manter homens na equipe porque acredito que também tenha sido um desafio para eles trabalhar com uma diretora, com um filme onde as mulheres são as protagonistas, e acho que surtiu efeito. Saímos todos transformados.

TÔ DENTRO: A quem dedica e agradece ?
ANNA ANDRADE: Dedico a todos os moradores e moradoras da Ilha de Deus.                    
  A comunidade e os moradores são símbolo e força e resistência!

TÔ DENTRO: Quais os próximos Projetos ?
ANNA ANDRADE: Estou trabalhando alguns desdobramentos do Entremarés em outras linguagens, e um outro roteiro que submeti ao edital deste ano. Na torcida pra que role.


Para ver a Matéria completa na REVISTA TÔ DENTRO, acesse: https://issuu.com/todentro/docs/a_revista_show_okey




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