O Caminho dos Barcos (EDIÇÃO 01, ANO 01, DATA: 05/03/2018)
Cineasta lança Filme que mostra o cotidiano das mulheres
Cineasta lança Filme que mostra o cotidiano das mulheres
que sobrevivem da
atividade de pesca na Ilha de Deus,
comunidade situada no bairro da Imbiribeira (Recife).
A
realizadora Anna Andrade de Recife (Pernambuco), lança ainda
este mês o Filme Entremarés, o qual
produz e dirige.
A ilha de
Deus é uma comunidade cortada pelos rios Tejipió, Jordão
e Pina, que teve suas mudanças estruturais com o passar dos anos, mas ainda
consegue manter essa cultura de pesca paralelamente ao desenvolvimento urbano
que a cerca.
O documentário também tem como objetivo
discutir a comunidade e o meio em que ela está inserida, pois com o passar dos
anos aconteceram várias mudanças no local, como a substituição de muitas das
palafitas para construção de um conjunto habitacional, bem como construções que
foram tomando grande parte do entorno da Ilha, muitas vezes de forma
desestruturada, destruindo viveiros e manguezais ali existentes, e deixando o
local isolado do resto da cidade, além de alterar a paisagem sonora e visual do
local.
A Ilha de
Deus já foi conhecida como uma das comunidades mais violentas de Recife, e
graças a um grupo de mulheres que começou a fazer protestos pelos direitos
básicos dos moradores da Ilha, a realidade dos moradores de lá começou a mudar
(há mais ou menos 10 anos), porém muita gente na cidade ainda tem medo de ir na
"Ilha sem Deus" como era conhecida por causa das matérias que saíam
nos jornais locais. Recife é uma cidade cortada por rios e pontes, conhecida
como a Veneza Brasileira, porém poucas pessoas conhecem a Ilha de Deus e sua
história, e poucas pessoas sabem que a ponte, hoje de concreto, que liga a Ilha
ao resto da cidade, se chama Ponte Vitória das Mulheres.
A Ilha de Deus "ainda" é um oásis no meio da
cidade.
Podemos ver Recife se engolindo de prédios crescendo
verticalmente no entorno da Ilha, porém esse espaço é de resistência social e
territorial!
pois lá dentro, os moradores ainda sobrevivem do que a maré
lhes dá, como camarão, sururu, e a pesca
artesanal...
Equipe:
Adalberto
Oliveira (Fotografia)
Anna Andrade (roteiro e direção)
Laura Martinez (direção de produção)
Josuel
Moriarty (assistente de produção)
Caio Sales (assistente de direção, direção de
produção)
Catharine Pimentel
(assistente de fotografia)
Lucas Caminha (som direto)
TÔ DENTRO: Como foi pra você realizar esse
projeto?
ANNA ANDRADE: Eu moro
na Imbiribeira desde novinha, do "outro lado da Ilha", como nós
chamamos.
Cresci
ouvindo e por vezes vendo de perto as histórias que amigos contavam sobre a
Ilha, e acompanhei todas as transformações estruturais desse lugar, através da
força das mulheres e de toda a comunidade.
Quando
comecei a trabalhar com cinema, nunca imaginei que fosse realizar um filme meu,
mas na mesma época iniciei um projeto de fotografia lá na Ilha e surgiu o
desejo de fazer um filme, que não poderia ter sido sobre outro local.
Conversei
com os moradores, fiz um mapeamento das personagens que gostaria de entrevistar
e que seria parte do dispositivo que eu utilizaria, e decidi inscrever num
edital de gênero, o Naíde
Teodósio, em 2015, mas não aprovei.
Foi
bacana porque consegui aperfeiçoar muita coisa no filme, narrativa e
esteticamente, e no ano seguinte aprovamos no Funcultura, na
categoria Ary Severo, para realizadores iniciantes.Conseguir fechar esse ciclo
foi bem emocionante, porque acredito que a nossa cidade precisa se re-conhecer e se re-conectar com seus
espaços, com suas comunidades, precisa dar ouvidos a todas as pessoas de
gêneros, raças e classes socias, e
espero que com o filme eu consiga quebrar toda a visão negativa que ainda
existe sobre a Ilha, além de destacar a garra da comunidade como um todo.
TÔ DENTRO: Quais os desafios de um Mulher Produzir e Dirigir um Filme?
ANNA ANDRADE: Como já produzo há quase dez anos, não tenho
problemas com a parte de produzir.
O maior desafio foi dirigir um filme no meio
de algumas pessoas que já tem muita bagagem, mas que são parceiros com quem
trabalho em outros projetos, e essa foi uma de minhas motivações para a escolha
da equipe.
Sou
mulher, luto pelos direitos das mulheres na ocupação de funções de base, mas
luto ainda mais por um cinema democrático e justo, por tratamentos iguais a
todos os profissionais, e decidi manter homens na equipe porque acredito que
também tenha sido um desafio para eles trabalhar com uma diretora, com um filme
onde as mulheres são as protagonistas, e acho que surtiu efeito. Saímos todos
transformados.
TÔ DENTRO: A quem dedica e agradece ?
ANNA ANDRADE: Dedico a
todos os moradores e moradoras da Ilha de Deus.
A comunidade e os
moradores são símbolo e força e resistência!
TÔ DENTRO: Quais os próximos Projetos ?
ANNA ANDRADE: Estou trabalhando alguns
desdobramentos do Entremarés em outras linguagens, e um outro
roteiro que submeti ao edital deste ano. Na torcida pra que role.
Para ver a Matéria completa na REVISTA TÔ DENTRO, acesse: https://issuu.com/todentro/docs/a_revista_show_okey



Nenhum comentário:
Postar um comentário